quarta-feira, 25 de julho de 2012

Os ídolos e o pódium



                                            Poema ao Senna
                                                                        

Incerteza, pressentimento, luta, ânsia de chegar, correr...
Partir rumo ao infinito interminável, duradouro.
   Meu herói e herói de tantos...
   Herói de um povo sofrido que geme a dor de tão poucos heróis na sua história...
  Quantas vezes - na face desse povo ainda banhada, encharcada, com lenços nas mãos para enxugar suas lágrimas - aflorava-se-lhe um sorriso, erguia a cabeça e o lenço tomava outro rumo: acenar para o grande herói!
Mais uma vitória - era uma alegria que caía no coração desse povo como o maná no deserto.


Está ali o meu herói amado, querido e chorado até pelos próprios adversários...


Hoje subiste um outro pódium:     
Foi o dia da grande vitória
Chegaste...quem sabe antes do teu instante...
Correste muito Senna!
Desta vez teu record foi contra o próprio tempo.
Aceleraste demais, Ayrton.
Não, não era, não podia ser o teu tempo de chegar!



Ou será que somos nós, grandes perdedores que nos prendemos e nos perdemos nos obstáculos dessa imensa pista, quase interminável...
Cheia de curvas e retas perigosas
e surpreendentes que é a vida?

                         (Célia Cavalcanti) Em 1º de maio de 1994