Poema ao Senna
Incerteza, pressentimento, luta, ânsia de chegar, correr...
Partir rumo ao infinito interminável, duradouro.
Meu herói e herói de tantos...
Herói de um povo sofrido que geme a dor de tão poucos heróis na sua história...
Quantas vezes - na face desse povo ainda banhada, encharcada, com lenços nas mãos para enxugar suas lágrimas - aflorava-se-lhe um sorriso, erguia a cabeça e o lenço tomava outro rumo: acenar para o grande herói!
Mais uma vitória - era uma alegria que caía no coração desse povo como o maná no deserto.
Está ali o meu herói amado, querido e chorado até pelos próprios adversários...
Hoje subiste um outro pódium:
Foi o dia da grande vitória
Chegaste...quem sabe antes do teu instante...
Correste muito Senna!
Desta vez teu record foi contra o próprio tempo.
Aceleraste demais, Ayrton.
Não, não era, não podia ser o teu tempo de chegar!
Ou será que somos nós, grandes perdedores que nos prendemos e nos perdemos nos obstáculos dessa imensa pista, quase interminável...e surpreendentes que é a vida?
(Célia Cavalcanti) Em 1º de maio de 1994

