domingo, 8 de dezembro de 2013

Na festa da Imaculada





         Eu era bem pequenina quando pela primeira vez ouvi falar de ti, Maria!
Era o mês, lembro, em que todos os dias se trocavam as flores colhidas no jardim em frente e se acendiam novas velas... A nossa mãe nos reunia diante de um altarzinho improvisado onde bem no alto tu ficavas, parada a nos contemplar...quase a sorrir...E eu via correr por entre os dedos da  minha mãe uma gotinhas transparentes de um colar comprido.
Seus lábios balbuciavam sempre as mesmas palavras : “Ave Maria” “cheia de graça”...”Santa Maria” “roga por nós...”eu e meus irmãos repetíamos tentando acompanhar sem perder o compasso...sem perder o ritmo...
    Passou o tempo...Crescida, eu te encontrei outra vez... Percebi que as flores sempre foram trocadas no meu dia a dia embelezando a minha casa, enriquecendo o teu altar. As luzes, não mais aquelas de velas se mantiveram acesas, resistindo a um vento forte aqui, acolá ameaçando apaga-las definitivamente... Aquelas gotinhas de colar correram nos meus dedos, quantas vezes!...
Já grande, amadurecida, eu te conheci. Não estavas parada no centro do altar, lá no alto a sorrir... Estavas ao meu lado, quase fosse minha própria sombra, ora na frente, ora atrás, ao lado ...dentro, fora, tomando-me pela mão, conduzindo-me, livrando-me dos obstáculos, dos males dos tropeços...
Meus lábios continuam murmurando” Ave Maria” ...E assim pelo tempo que me resta, recorrendo sempre a Ti, eterna companheira ; amiga, confidente, Mãe!

                                  (Célia Cavalcanti)