Eu era bem
pequenina quando pela primeira vez ouvi falar de ti, Maria!
Seus lábios balbuciavam sempre as mesmas palavras : “Ave Maria” “cheia de graça”...”Santa Maria” “roga por nós...”eu e meus irmãos repetíamos tentando acompanhar sem perder o compasso...sem perder o ritmo...
Passou o tempo...Crescida, eu te encontrei outra
vez... Percebi que as flores sempre foram trocadas no meu dia a dia embelezando
a minha casa, enriquecendo o teu altar. As luzes, não mais aquelas de velas se
mantiveram acesas, resistindo a um vento forte aqui, acolá ameaçando apaga-las
definitivamente... Aquelas gotinhas de colar correram nos meus dedos, quantas
vezes!...
Já grande,
amadurecida, eu te conheci. Não estavas parada no centro do altar, lá no alto a
sorrir... Estavas ao meu lado, quase fosse minha própria sombra, ora na frente,
ora atrás, ao lado ...dentro, fora, tomando-me pela mão, conduzindo-me,
livrando-me dos obstáculos, dos males dos tropeços...
Meus lábios
continuam murmurando” Ave Maria” ...E assim pelo tempo que me resta, recorrendo
sempre a Ti, eterna companheira ; amiga, confidente, Mãe!
(Célia
Cavalcanti)


